blogue da disciplina de Psicologia Social da FLUP

sábado, 5 de dezembro de 2009

Marx vs Nietzsche

Psicologia Social. Uma disciplina que abarca numa só nomenclatura as duas faces de uma só moeda – a Humanidade. Melhor, encerra em si duas perspectivas do mais dispare entre si sobre esse melting pot designado de Humanidade. A psicologia estará nos antípodas do social, que é o mesmo que dizer que o individuo se digladia pela sua autonomia contra o intuito pré programado para o qual o social se bate de forma irredutível.
Já que se está na presença de uma de uma área que se debruça essencialmente sob o caleidoscópio do social – a sociologia, equilibremos os pratos da balança pendendo agora um pouco para o sentido da Psicologia, personificando ou representando cada um dos conceitos (psicologia e social) com duas personalidades que se esgrimiriam ate ao infinito tentando levar cada uma os seus argumentos avante. Assim do lado do Social teríamos o burguês – sem ironia – Karl Marx e a sua obsessão em nos tornar a todo o custo em unidades robotizadas, em nos estruturar segundo um padrão. Sim porque para esse senhor, qualquer recem nascido no seu berço será susceptível de ser programado em todas as suas actividades e tornar-se assim em mais um manipulado da sociedade e das suas estruturas. Qual marionete! Basta para isso, talvez ter a (in)felicidade em nascer em território comunista.
Do lado da psicologia e sobretudo exibindo uma perspectiva bem mais individualista teríamos o filósofo Friedrich Nietzsche onde valoraria talvez a percepção de cada um de nós na concepção da realidade. Realmente os consensos são uma seca e ilusórios. Apenas se definem como modus operandis de entendimento, de nos entendermos nesta coisa nauseabunda do pré concebido, pré idealizado. Os prés haveriam, aliás, de serem irradiados. Não muito a propósito, mas o primeiro pré que assimilei quase de forma traumática – o pré-primaria – foi mesmo indigesto e de má memória pelas sopas que me obrigavam a comer.
Então, não será muito mais interessante vivermos mergulhados no caos das nossas discrepâncias perceptivas e sublimarmo-nos (pelo menos os mais astutos, diria Nietzsche) pela arte? Não! - responderia um ríspido e austero Marx. O que fariam aqueles pseudo intelectuais de esquerda com as suas ânsias de controlo? - perguntaria ele.
Por mais que lhes custem a natureza do indivíduo tem sempre a primeira e ultima palavra a dizer na efectivação do seu comportamento – a primeira na genética inata e a ultima na vontade una e intransmissível da sua vontade que determinará o acto social. Mas psicologismos aparte dêmo-nos por satisfeitos por termos uma disciplina chamada Psicologia Social e não Sociologia psicológica. Por outras palavras o eu precede sempre ao nós, por muito que custo ao colectivo.

2 comentários:

Pedro disse...

o meu código genético tem este comentário pre-determinado e curisosamente encaixa-se de forma contra-harmoniosa no balanço da mensagem, penso que os pseudo-intelectuais de esquerda são além de uma conceptualização burguesa pronta a servir de bode expiatório, também uma distorção da realidade que os individualistas ( do outro lado) a seu bel prazer manipulam.
No que toca a controlo, não convém esquecer também o ponto de vista estruturalista de Marx, na medida em que este pertence à sociedade no seu todo e não aos indivíduos que (de forma artificial e desigual?) se apoderam dela, enquanto que referente à normalização vemos exemplos claros da sua (in?)existência no estilo de vida comumente aspirado por uma classe individualista, cujo valor do trabalho é estruturado pelas leis do mercado e a sua autonomia moldada ao padrão da competitividade.. esta sopa não me obrigaram a comer.

Maria Vieira disse...

A (IM)POSSIBILIDADE DA TOTALIDADE

«Psicologia Social. Uma disciplina que abarca numa só nomenclatura as duas faces de uma só moeda – a Humanidade.»

«Diz um pensador actual que a antropologia é uma ciência sem fim. De facto, o ser humano não pode definir-se de uma vez por todas. Nem há sequer definição possível de ser humano.
A pergunta pelo ser humano convoca todas as disciplinas – não é ele, de facto, como bem o viram os filósofos, de algum modo todas as coisas? Quando questionamos:”o que é que eu sou? Quem é que eu sou?” é necessário apelar para o concurso das ciências da natureza, da cosmologia, da etologia, da linguística, da sociobiologia, das artes, da economia, das ciências jurídicas e políticas, da filosofia…
Todas as afirmações-perguntas formuladas na primeira pessoa do singular, pelo caleidoscópio das ciências, têm de apresentar-se no plural, pois o homem só é real e autenticamente enquanto homem e mulher. E a identidade individual implica a identidade social e histórica e planetária e cósmica. Da identidade de cada ser humano faz parte a humanidade inteira: os homens e mulheres do passado, do presente e do futuro. Afinal em cada homem está mesmo presente a realidade toda.»