blogue da disciplina de Psicologia Social da FLUP

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Será que somos o que ouvimos?

Nos dias que correm já ninguém sai de casa sem a companhia do mp3, ipod, ou então sem o telémovel, isto porque cada um faz questão de durante as viagens nos transporte públicos, ou enquanto vagueiam pelas ruas, ouvir a sua própria música.
Mas será que a música que cada um ouve tem influência na sua personalidade?
Pois parece que sim!

"Acid house, Bossa nova, Chill out, Jazz, Country, Dance, Gospel, Indie, Rock, Soul, Rap, Salsa, Reggae, Punk, opera, fado, samba… Há música para todos os gostos E o que revelam sobre nós esses gostos, a nossa colecção de discos ou os temas gravados no Ipod? Muito mais do que imaginamos, segundo os últimos estudos.

Para começar, as preferências musicais de cada individuo definem a sua personalidade, e os psicólogos Peter J. Retfrow e Samuel D. Gosling, da Universidade do Texas, conseguiram demonstrá-lo cientificamente. Há alguns anos, conceberam o Teste Breve das Preferências Musicais (STOMP, na sigla inglesa) e submeteram as suas perguntas a várias centenas de jovens. Segundo se depreende dos resultados, publicados na revista Journal Of Personality and Social Psychology, se o leitor for adepto de blues ou do jazz, é provável que seja inteligente, imaginativa, tolerante e liberal, além de aberto a novas experiências.

Os consumidores de heavy metal partilham a inteligência mas são, além disso, especialmente curiosos, atléticos e habituais "cabecilhas" sociais. Extroversão, loquacidade, energia e uma auto-estima elevada são as características predominates entre os fãs de hip-hop e funky. E os que gostam de ouvir Madonna ou a banda sonora de Danças com Lobos costumam ser pessoas conservadoras, endinheiradas, agradáveis e, muitas vezes, emocionalmente instáveis.

Os amantes de Ópera são perigosos ao volante

Podemos deduzir muito mais do que isso das entrelinhas da nossa lista de canções preferidas. Um dos primeiros a intui-lo foi o psicólogo britânico Adrian North, da Uni de Leicester, que realizou uma sondagem pormenorizada, em 2006, junto de mais de 2500 individuos escolhidos ao acaso em meios universitários, centros comerciais e estações ferroviárias da UK. No questionário, incluía perguntas sobre os gostos musicais, mas também sobre as habilitações literárias, situação laboral, relações pessoais, rendimentos anuais, crenças e hábitos de consumo. Os resultados foram uma grande surpresa.

Tal como indicam os esteriotipos, os indivíduos com um nível superior de educação e maiores rendimentos revelaram-se os principais apreciadores de ópera e música clássica. No entanto, eram também péssimos condutores: quase metade incorrera recentemente numa infracção de transito, o dobro do numero de inquiridos que tinham escolhido os musicais como categoria preferida.

O estudo também indica que os que mais viajam são os fãs de dance e house. Os amantes do rock e pop dos anos 60 são os mais atingidos pelo desemprego do que os restantes, mas isso poderá estar relacionado com a sua faixa etária. Os apreciadores de ópera são os que lavam o cabelo com menos frequência. No extremo oposto, encontramos os consumidores de electrónica, que são também os que mais exercício físico praticam, seguidos dos adeptos do rap e de música indie.
Quando se trata de consumir álcool, os números indicam que quem bebe menos são os fãs dos filmes musicais, que juntamente com os apreciadores de ópera, costumam preferir o vinho à cerveja e fumam pouco. As taxas mais elevadas de promiscuidade e os maiores índices de criminalidade foram encontrados entre os que ouvem hip-hop.

São também os menos partidários da reciclagem e energias renováveis.
O estado cível também deve ser tomado em consideração. Os solteiros, segundo North, têm maior propensão para ouvir música DJ, hip-hop, dance e house. Porém, quando iniciam uma relação estável, passam a gostar de country, blues, pop e música clássica.

Quando começam a tomar forma todas estas preferências musicais? Embora processemos os sons desde a nascença, os gostos apenas se consolidam entre os 16 e os 24 anos de idade, conclui North, embora adiante que nada é imutável.
"Os nossos gostos podem tornar-se mais sofisticados à medida que envelhecemos, nomeadamente porque o cérebro escutou mais música e pode processar coisas mais complexas", afirma o psicólogo. Seja como for, assegura que "não é provável alguém passar de Britney Spears para Beethoven".

É por isso que se verifica excepto se formos acometidos por algum tipo de distúrbio mental, como aconteceu, há alguns anos, com um italiano de 68 anos. Os médicos que lhe tinham diagnosticado demência fronto-temporal descobriram que abandonara, subitamente, o hábito de ouvir música clássica, para escutar no máximo volume um conhecido cantor pop italiano, cujas canções lhe tinham sempre merecido o epíteto de "ruído de merda".

A mudança, explicou o investigador Giovanni Frisoni, não foi observada noutros tipos de demência, como a doença de Alzheimer, e pode ter base neurofisiológica. "Para quem tem mais de 60 anos, a música pop é um fenómeno novo", sublinha Frisoni. Estudos anteriores já tinham sugerido que as novidades são processadas pelo lóbulo frontal direito, e que um eventual predomínio deste sobre o esquerdo, causado por uma lesão, poderia levar o individuo a descobrir, entre outras coisas, novos estilos musicais."

Em Suma

"Heavy Metal: Tipo de personalidade; Curiosos, inteligentes, atléticos, seguros de si.

Jazz/Blues: Tipo de personalidade; Inteligentes, criativos, liberais e tolerantes.

Ópera/Clássica: Liberais, perspicazes, com níveis de educação superiores e maiores rendimentos do que a média, maioritariamente casados.

Rap/Hip-Hop: Tipo de personalidade; Extrovertidos, loquazes, enérgicos, elevada auto-estima.

Pop: Tipo de personalidade; Felizes, generosos, previsíveis e convencionais, são considerados pessoas atraentes.

Rock: Tipo de personalidade; Activos, aventureiros e com maior tendência do que a média para se declararem ateus."



in:http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/17402
Publicado por: Andreia Daniela Moreira

1 comentário:

Adaljeferson Vargas Correa disse...

Mmmmmmm, que belezura esse trabalho....